segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Relato Brevet 200 km - Simone

Relato Brevet audax UAF 200 km set 09

Ciclista pica-pau, vou arriscar pela primeira vez um relato sobre uma prova de ciclismo... Se eu tivesse que me definir, esportivamente, diria: sou uma corredora, não uma ciclista. A bike veio, para mim, como um instrumento para o triathlon, um antigo desejo que comecei a realizar em 2008. Mas acabei me empolgando com o ciclismo de longa distância, ao qual fui apresentada em fevereiro de 2009, e espero, em breve, poder também me apresentar como ciclista!! Estou, aos poucos, aprendendo (e, confesso, deslumbrada!!)...

Mas queria contar um pouquinho sobre a experiência que vivi no primeiro brevet de 200 km Audax-UAF realizado no Brasil, no dia 27/09/2009, partindo de Santa Cruz do Sul.

Já no meio da semana sabíamos que a previsão do tempo não era boa... promessa de chuvas, mesmo temporais!

Mas o fato é que, no sábado à tardinha, dia 26/09, estávamos lá, na UNISC, súditos do Rei Faccin, que lá do alto nos passava informações sobre a prova. Talvez não fosse rei, mas general, pois nos apresentou seus capitães: Baiano, Trevisan e Endres! Mas tenho que confessar que eles não eram, assim, tão assustadores...rs...

Congresso técnico encerrado, passo seguinte foi a janta, na Churrascaria Centenário (arghhh!!! – e uma explicação: para os que não sabem, sou vegetariana, que acompanha os demais somente pelo absoluto sentimento de parceria...), onde assistimos a um prenúncio do dia seguinte: tanta chuva que o teto não suportou, e uma cachoeira invadiu o salão!!! Logo depois, liga o Faccin, consultando sobre a continuidade ou não da prova, em função da tempestade que desabava lá fora. Resolvemos ver a previsão do tempo, não confiando no negro prenúncio...rsrs... e a previsão até que não era das piores: somente pancadas, a partir das 7 horas da manhã, chuva mesmo somente a partir das 16 horas. Acabamos deixando para resolver na madrugada seguinte.

Chuva torrencial à noite inteira. Lá pelas 3h30 o pessoal começou a aparecer para o café... Capitães preocupados (fora o Baiano, que estava na maior tranqüilidade, nem aparecera ainda...rs), e o Graxa mais ainda!! A chuva trazia, obviamente, sério risco de acidentes, ainda mais pedalando-se em pelotão! Como a chuva dera uma trégua, pedalamos até a UNISC para decidir, junto com o Rei/General, o que fazer... Partimos do hotel eu, o Alex, o Jordi, o Molinos e o menino de Panambi (perdão, perdão, não lembro seu nome...). A opção foi a largada, que ocorreu as 05h06min, sem uma gotinha d’água!!

Mas isso foi só para estimular a partida, porque pouco depois desabou o mundo!! Subimos e descemos a serra de Santa Cruz (RSC 287) debaixo de chuva, e eu tentando acompanhar o pessoal da frente, mesmo sem enxergar direito... Serra acima, tudo bem, agora a descida foi um inferno!!...rs... Os que já pedalaram comigo, sabem que tenho um perfil ciclístico bem estranho: adoro subidas e morro de medo de descidas (o Mogens diz que deveríamos unir minha habilidade nas subidas com a dele nas descidas, e o Alex tem vontade de me enforcar, porque eu pedalo tão rápido nas subidas, por mais íngremes que sejam, quanto nas descidas... vocês compreendem o que isso significa!! rs). Enfim, consegui manter-me junto com o grupo, e, passada a descida, as coisas ficaram mais tranqüilas.

O amanhecer nos pegou na RS 405, rumo a Passo do Sobrado, e foi certamente um mais belos da minha vida!! Muita chuva e, um pouco à frente, uma tempestade de raios!! Realmente, linda!! Só o que complicava a beleza do momento era o asfalto ruim, que exigia atenção para o chão, no lugar de só curtir a paisagem... Aliás, acho que caí em todos os buracos que apareceram, mas, felizmente, nenhum pneu furou.

Até ali, a impressão que tive é a de que todos estavam andando juntos. Depois que voltamos para a RSC 287, parece que o pelotão começou a se desfazer, em parte. Fui para a frente, por dois motivos: 1. como dependo de óculos de grau, ficar atrás implica em mais sujeira nas lentes... e me sinto melhor se estiver enxergando!! (rs); 2. um amigo ciclista, de Santa Maria, o Max, comentou que 80% dos tombos ocorrem na metade final do pelotão... e me sinto melhor se eu não cair!! (rs). Então, fiquei infernizando meus dois capitães, Baiano e Endres, que estavam à frente do pelotão... A média estava mantida, todavia para isso, como alguns trechos foram mais lentos, tivemos de acelerar um pouco...

Seguimos assim até Mariante, onde nos aguardava uma padaria quentinha (PC 1, Panificadora Tribom) e (finalmente, finalmente!!) um banheiro! Fiquei sabendo, depois, que o Endres pedalou até lá também pensando, como eu, no banheiro! Felizmente, eu e o capitão compartilhávamos do mesmo espírito!! Talvez por isso os trechos de maior velocidade... rsrs

Quinze minutos de parada, apito e a partida! Desta vez, sob a condução do Capitão Baiano, que teve de me aturar por quase todo o trecho até Cruzeiro do Sul. Pedalar com o Baiano é sempre um grande prazer... ele tem muitas histórias de seus pedais para contar, e anda realmente curtindo a coisa... o que fez com que ele desandasse, em um determinado momento, depois do Trevo de Venâncio Aires, quando começaram algumas subidas e descidas em seqüência, em uma corrida desarvorada (rsrs), o que fez com que o Trevisan tivesse de nos alcançar para pedir para ele dar uma segurada...

Aliás, bom comentar: todo o trecho até Mariante, fora a serra de Santa Cruz, foi praticamente plano. Só enfrentamos subidas na RSC 453, depois de Venâncio Aires.

Pouco antes de entrarmos na RS 130, cedi meu lugar à frente para o Alex e o Molinos, que passaram a acompanhar o Baiano. A estrada não estava tão boa, e havia um vento contra meio chato... Lá pelas tantas, fiquei sozinha entre o pelotão da frente (Baiano, Alex e Molinos) e os que vinham atrás... Mas o destino é algo muito interessante: acreditam que os três da ponta acabaram passando do PC 2 (em Cruzeiro do Sul, Restaurante Recanto da Natureza) pois não viram o Faccin? E, felizmente, o Trevisan havia me alcançado, e sabia onde ficava a parada... Então, chegamos, eu e o Trevisan, e ficamos esperando os demais (os que vinham atrás e os que haviam passado na frente!! rs).

Logo, todos se encontraram. A parada para o almoço foi boa, mas quase morri de frio! Se durante o pedal a chuva foi ótima, parar completamente molhada foi algo complicado... Um pouco de massa e três cafés depois, fiquei um pouco melhor. Um pouco depois de nós, chegou o Jordi, nos contando que havia furado o pneu, felizmente (ou não..rs) ao mesmo tempo que o Endres, e então os dois fizeram a troca juntos.

Nesse PC, chegamos um pouco adiantados, mas partimos na hora certa! Sempre sob chuva, saímos às 12h18min, e, desta vez, quem teve de me agüentar, por um bom tempo, foi o Trevisan... A volta, tanto na RS 130 como na RSC 453, foi bem mais fácil, pois estávamos descendo e com vento a favor (disse-me o Trevisan que, em um determinado trecho, o vento era lateral, mas, sinceramente, meu nível de percepção não chegou – ainda – a tanto...rs).

Na RS 287, o movimento havia aumentando bastante, pois já era início da tarde... Mas eu me senti bastante segura, pois contávamos com o apoio da Polícia Rodoviária. A chuva prosseguiu até a chegada no Restaurante Casa Cheia (PC 3), onde paramos por 20 minutos.

Na partida, a chuva finalmente deu uma trégua, e eu pude, pela primeira vez, ver realmente a estrada! rs... A partir daí, a impressão que tenho é que foi tudo muito rápido... logo chegamos nas 7 curvas (subida da Serra de Santa Cruz do Sul). Neste ponto, agradecimentos ao Trevisan, que atendeu ao meu pedido de subir um pouquinho mais rápido, para poder descer um pouquinho mais lento (ops...era um segredo, pois vai contra o pedido dos demais...rs); se bem que, na verdade, ele subiu mais rápido, mas não desceu assim tão lentamente, não!! Subida acima, éramos o Trevisan, eu e o Alex, logo depois o Baiano e o Molinos... Na descida, vocês podem imaginar o que aconteceu: Trevisan e Alex se foram, eu fui ficando... o Baiano, o Molinos (talvez outros mais) me passaram... eles sem pedalar, e eu tentando pedalar atrás! rsrs... Mas tudo bem, consegui alcançá-los antes do trevo da UNISC, e chegamos juntos, às 15h28min (eu, Alex, Trevisan, Baiano, Endres, Molinos, Rodrigo e Vitor). Os demais foram chegando na seqüência, aos poucos.

Foi um dia maravilhoso, no fim a chuva foi mais um elemento para enriquecer e tornar a prova mais prazerosa... pode parecer loucura, mas foi, mesmo, muito, muito divertido! E também muito estimulante... pude ver alguns outros ciclistas em formação, como eu, tomando gosto pelas longas distâncias. E os parabenizo, especialmente nas figuras do Jordi (meu afilhado!!) e do menino de Panambi (juro que na próxima saberei seu nome), por terem completado o desafio desejando ir adiante!!

Acho que, depois desse relato-monstro, ninguém vai me deixar relatar mais nada...

Grande abraço à minha nova família ciclística! Espero tê-los por muito tempo a meu lado... (mas, falando bem sinceramente, espero tê-los atrás de mim...rs... ciclisticamente falando, é claro! ;-))

Si

7 comentários:

Zeca Baronio disse...

Que legal!

Espero em breve poder participar do meu primeiro Audax... mas a marvada da MTB não me larga de jeito nenhum....

Que tal um Audax Lomba Grande - Osório só por estrada de terra? hehehe

Abraço!

Trevisan disse...

Excelente Relato! Parabéns Simone e a todos q estiveram neste super desafio. Outros virão.

abraço.

Trevisan

Martin disse...

Mais um relato do Brevet 200km
Encorajado pela Simone, também faço meu relato, eu sou o "menino de Panambi" que ela se referia, puxa vida, com meus 37 anos faz tempo que não ouço essa, já estou acostumado com o "tio", mas bom ouvir isso, valeu Simone!!
Bom, para começo da história também sou novato, este seria meu terçeiro audax, meus colegas de trabalho me chamaram de louco, até meus pais me olharam esquisito, mas não dei bola.
Indo para Santa Cruz tomei uma multa porque um policial rodoviário complicou porque estava tampando a placa traseira do carro, até achei que não iria me deixar ir adiante, já tinha a previsão de temporal, mais a multa, pensei, que diabo!O que mais falta acontecer!
Chegando lá não conhecia quase ninguém, nem o Faccin, só conhecia o Trevisan e o graxa, ambos do Randonnée de Lajeado, depois chegou o Mogens, mas me enturmei logo, o pessoal é gente boa mesmo.Notei que eu era um dos menos experientes e pensei....tô lascado!!Será que eu vou chegar no final?
Durante a noite de tão ansioso que estava não conseguia dormir, se dormi 01 hora foi muito,no café comentei com o Trevisan e ele disse que ninguém consegue dormir bem antes de um audax, isso me confortou.
Poucos metros depois da largada já estava começando a chover e logo chegou aquela subida interminável, acredito que na metade dela já estava molhado que nem um pinto e pensei, puta que o pariu!! o que eu estou fazendo aqui? mas daí dei uns gritos e como bom alemão(teimoso)pensei, mas eu vim de tão longe pra quê!!
Juntei-me próximo ao capitão de rota segui o ritmo,no primeiro PC na hora de seguir viagem vi que a porcaria do pneu estava murcho, era só o que me faltava, logo me vieram na mente meus colegas Odacir e Lucio que me aconselharam a botar esses pneus lisos, praguejei mentalmente e falei com o Trevisan, furou o pneu! ele me olhou e falou com calma, não se preocupe, pode trocar tranquilo, aí eu disse, cara, nunca troquei pneu!!aí ele disse, vou arrumar alguém pra te ajudar e falou com o Faccin.Bom com o Faccin me ajudando foi rápido e quando estava pronto eu estava sozinho, o pelotão já havia se distanciado.
Me larguei que nem um louco, tinha que alcançar o pessoal, no caminho encontrei o Erasmo e pedalamos junto até furar o pneu da bike dele.
Ao chegar no trevo de Cruzeiro do Sul encontrei o cara da Chevy e ele disse, "no primeiro trevo a esquerda", tinha olhado no mapa anteriormente e estava fechando as distâncias no meu odômetro, vi que era 132km e alguma coisa e uma encruzilhada e pensei, deve ser aí, loco de fome, pernito assando nas pernas e me fui....errado!Dei numa descida de calçamento e logo em uma estrada de chão e pensei, putz, que fim de mundo! não pode ser aí, era passado das 11 e sentia cheiro de churrasco no ar, nenhum desgraçado na rua para pedir informações e aquela baita subida para voltar, cara, aí deu vontade de jogar a bike nas capoeiras!! Mais uma vez fui teimoso, não, não vou desistir, vou chegar na chegada nem que seja rastejando, vou ter história para contar.
Chegando no segundo PC ainda deu tempo para comer um prato de massa, tomar uma coca, ir no banheiro e tirar o pernito, não sei porque, mas esse negócio machucou mesmo.
Quando chegamos nas sete curvas aí a coisa enfeiou, não parecia que tínhamos descido tantas curvas na ida, encaixei uma marcha leve e me fui, parecia que estava "tropeando lesmas", a políca rodoviária que estava me seguindo desistiu e achou melhor balisar os demais ciclistas.
Chegando no alto foi um alívio e pensei, o pior passou e agora é descida, desci que nem um raio(Simone, como é que você não gosta de descidas??)e cheguei uns 05 minutos depois do pelotão. Não sei se todos tiveram paciência para ler até aqui, mas quero agradecer todo apoio que tive, do Faccin, do Trevisan, do Rodrigo, do Erasmo, do pessoal de Santa Maria (Simone, Alex, Maciel, Molinos e o outro que não sei o nome,ele é músico), de todo mundo afinal, pela parceria e pelos bons momentos. A gente se encontra por aí e vamos fazer mais algumas histórias!!

Martin Rugard Wentz

Si disse...

Olá, Zeca!! Vamos nos encontrar, então, nos próximos! Nem que seja de MTB (que eu também adoro!rs). Gostei da idéia do trajeto Lomba Grande Osório via estrada de chão!!

Trevisan, valeu pela parceria, sempre agregando informações e experiências à minha formação ciclística! rsrs... Aliás, não mencionei que foste quem me apresentou ao ciclismo de longa distância, em uma época em que, nem de longe, eu acreditava fosse capaz de chegar a ele...rsrs... Aos próximos desafios, então!!

Martin!!!! Posso continuar chamando-o de menino de Panambi...rsrs... na verdade, a gente só rejuvenesce sob os capacetes!! rsrsrs... Teu relato está mais emocionante que o meu! rs...Legal que estamos no mesmo espírito: rumo à série completa de Audax e Randonée 2010, que tal? Ótimo te encontrar, também, em Ijuí, onde concluímos que entre chuva e sol escaldante, melhor pedalar molhado! rsrsrs...

Abraços a todos!!

Si disse...

Ah, Martin, sobre as descidas (das quais não gosto muito):
1. um pouco é insegurança com a speed... rsrsrs... Mas estou melhorando!
2. outro pouco deve-se ao fato de que, normalmente, pedalo com homens, que são mais pesados do que eu... então, se eles simplesmente descansarem nas descidas (só soltarem...), eu fico muuuuito para trás (por causa do peso), de forma que para acompanha-los tenho de seguir pedalando!! ( ou seja, no fim tenho que pedalar mais do que eles!! - injusto, não? rsrsrs)

Abraços!

Trevisan disse...

Fala Martin!
legal o relato!
Simone, gostei de ver a empolgação para a serie 2010. é isso ai!
sobre os 2 itens seus:
1 - insegurança se perde com o passar dos kms! ;-)
2 - da uma olhada na relação de pinha com o coroão. quem sabe um ou 2 dentes a mais não resolve o problema de ficar pra trás. :)

Si disse...

Empolgação não está faltando! rs

1. Sim, sim!! O negócio é ficar à vontade, o que vai acontecendo com o tempo!! ;-)
Já estou, mesmo, muito melhor, cada pedal me coloca mais à vontade... Aliás, as duas experiências que tive pedalando em pelotão (Audax 100 e 200) foram muitíssimo importantes no quesito "ganhar segurança"!

2. Vou ver! Mas, ainda assim, terei que continuar pedalando...rsrsrsr... :-P

Abraços!