Relato Brevet audax UAF 200 km set 09
Ciclista pica-pau, vou arriscar pela primeira vez um relato sobre uma prova de ciclismo... Se eu tivesse que me definir, esportivamente, diria: sou uma corredora, não uma ciclista. A bike veio, para mim, como um instrumento para o triathlon, um antigo desejo que comecei a realizar em 2008. Mas acabei me empolgando com o ciclismo de longa distância, ao qual fui apresentada em fevereiro de 2009, e espero, em breve, poder também me apresentar como ciclista!! Estou, aos poucos, aprendendo (e, confesso, deslumbrada!!)...
Mas queria contar um pouquinho sobre a experiência que vivi no primeiro brevet de 200 km Audax-UAF realizado no Brasil, no dia 27/09/2009, partindo de Santa Cruz do Sul.
Já no meio da semana sabíamos que a previsão do tempo não era boa... promessa de chuvas, mesmo temporais!
Mas o fato é que, no sábado à tardinha, dia 26/09, estávamos lá, na UNISC, súditos do Rei Faccin, que lá do alto nos passava informações sobre a prova. Talvez não fosse rei, mas general, pois nos apresentou seus capitães: Baiano, Trevisan e Endres! Mas tenho que confessar que eles não eram, assim, tão assustadores...rs...
Congresso técnico encerrado, passo seguinte foi a janta, na Churrascaria Centenário (arghhh!!! – e uma explicação: para os que não sabem, sou vegetariana, que acompanha os demais somente pelo absoluto sentimento de parceria...), onde assistimos a um prenúncio do dia seguinte: tanta chuva que o teto não suportou, e uma cachoeira invadiu o salão!!! Logo depois, liga o Faccin, consultando sobre a continuidade ou não da prova, em função da tempestade que desabava lá fora. Resolvemos ver a previsão do tempo, não confiando no negro prenúncio...rsrs... e a previsão até que não era das piores: somente pancadas, a partir das 7 horas da manhã, chuva mesmo somente a partir das 16 horas. Acabamos deixando para resolver na madrugada seguinte.
Chuva torrencial à noite inteira. Lá pelas 3h30 o pessoal começou a aparecer para o café... Capitães preocupados (fora o Baiano, que estava na maior tranqüilidade, nem aparecera ainda...rs), e o Graxa mais ainda!! A chuva trazia, obviamente, sério risco de acidentes, ainda mais pedalando-se em pelotão! Como a chuva dera uma trégua, pedalamos até a UNISC para decidir, junto com o Rei/General, o que fazer... Partimos do hotel eu, o Alex, o Jordi, o Molinos e o menino de Panambi (perdão, perdão, não lembro seu nome...). A opção foi a largada, que ocorreu as 05h06min, sem uma gotinha d’água!!
Mas isso foi só para estimular a partida, porque pouco depois desabou o mundo!! Subimos e descemos a serra de Santa Cruz (RSC 287) debaixo de chuva, e eu tentando acompanhar o pessoal da frente, mesmo sem enxergar direito... Serra acima, tudo bem, agora a descida foi um inferno!!...rs... Os que já pedalaram comigo, sabem que tenho um perfil ciclístico bem estranho: adoro subidas e morro de medo de descidas (o Mogens diz que deveríamos unir minha habilidade nas subidas com a dele nas descidas, e o Alex tem vontade de me enforcar, porque eu pedalo tão rápido nas subidas, por mais íngremes que sejam, quanto nas descidas... vocês compreendem o que isso significa!! rs). Enfim, consegui manter-me junto com o grupo, e, passada a descida, as coisas ficaram mais tranqüilas.
O amanhecer nos pegou na RS 405, rumo a Passo do Sobrado, e foi certamente um mais belos da minha vida!! Muita chuva e, um pouco à frente, uma tempestade de raios!! Realmente, linda!! Só o que complicava a beleza do momento era o asfalto ruim, que exigia atenção para o chão, no lugar de só curtir a paisagem... Aliás, acho que caí em todos os buracos que apareceram, mas, felizmente, nenhum pneu furou.
Até ali, a impressão que tive é a de que todos estavam andando juntos. Depois que voltamos para a RSC 287, parece que o pelotão começou a se desfazer, em parte. Fui para a frente, por dois motivos: 1. como dependo de óculos de grau, ficar atrás implica em mais sujeira nas lentes... e me sinto melhor se estiver enxergando!! (rs); 2. um amigo ciclista, de Santa Maria, o Max, comentou que 80% dos tombos ocorrem na metade final do pelotão... e me sinto melhor se eu não cair!! (rs). Então, fiquei infernizando meus dois capitães, Baiano e Endres, que estavam à frente do pelotão... A média estava mantida, todavia para isso, como alguns trechos foram mais lentos, tivemos de acelerar um pouco...
Seguimos assim até Mariante, onde nos aguardava uma padaria quentinha (PC 1, Panificadora Tribom) e (finalmente, finalmente!!) um banheiro! Fiquei sabendo, depois, que o Endres pedalou até lá também pensando, como eu, no banheiro! Felizmente, eu e o capitão compartilhávamos do mesmo espírito!! Talvez por isso os trechos de maior velocidade... rsrs
Quinze minutos de parada, apito e a partida! Desta vez, sob a condução do Capitão Baiano, que teve de me aturar por quase todo o trecho até Cruzeiro do Sul. Pedalar com o Baiano é sempre um grande prazer... ele tem muitas histórias de seus pedais para contar, e anda realmente curtindo a coisa... o que fez com que ele desandasse, em um determinado momento, depois do Trevo de Venâncio Aires, quando começaram algumas subidas e descidas em seqüência, em uma corrida desarvorada (rsrs), o que fez com que o Trevisan tivesse de nos alcançar para pedir para ele dar uma segurada...
Aliás, bom comentar: todo o trecho até Mariante, fora a serra de Santa Cruz, foi praticamente plano. Só enfrentamos subidas na RSC 453, depois de Venâncio Aires.
Pouco antes de entrarmos na RS 130, cedi meu lugar à frente para o Alex e o Molinos, que passaram a acompanhar o Baiano. A estrada não estava tão boa, e havia um vento contra meio chato... Lá pelas tantas, fiquei sozinha entre o pelotão da frente (Baiano, Alex e Molinos) e os que vinham atrás... Mas o destino é algo muito interessante: acreditam que os três da ponta acabaram passando do PC 2 (em Cruzeiro do Sul, Restaurante Recanto da Natureza) pois não viram o Faccin? E, felizmente, o Trevisan havia me alcançado, e sabia onde ficava a parada... Então, chegamos, eu e o Trevisan, e ficamos esperando os demais (os que vinham atrás e os que haviam passado na frente!! rs).
Logo, todos se encontraram. A parada para o almoço foi boa, mas quase morri de frio! Se durante o pedal a chuva foi ótima, parar completamente molhada foi algo complicado... Um pouco de massa e três cafés depois, fiquei um pouco melhor. Um pouco depois de nós, chegou o Jordi, nos contando que havia furado o pneu, felizmente (ou não..rs) ao mesmo tempo que o Endres, e então os dois fizeram a troca juntos.
Nesse PC, chegamos um pouco adiantados, mas partimos na hora certa! Sempre sob chuva, saímos às 12h18min, e, desta vez, quem teve de me agüentar, por um bom tempo, foi o Trevisan... A volta, tanto na RS 130 como na RSC 453, foi bem mais fácil, pois estávamos descendo e com vento a favor (disse-me o Trevisan que, em um determinado trecho, o vento era lateral, mas, sinceramente, meu nível de percepção não chegou – ainda – a tanto...rs).
Na RS 287, o movimento havia aumentando bastante, pois já era início da tarde... Mas eu me senti bastante segura, pois contávamos com o apoio da Polícia Rodoviária. A chuva prosseguiu até a chegada no Restaurante Casa Cheia (PC 3), onde paramos por 20 minutos.
Na partida, a chuva finalmente deu uma trégua, e eu pude, pela primeira vez, ver realmente a estrada! rs... A partir daí, a impressão que tenho é que foi tudo muito rápido... logo chegamos nas 7 curvas (subida da Serra de Santa Cruz do Sul). Neste ponto, agradecimentos ao Trevisan, que atendeu ao meu pedido de subir um pouquinho mais rápido, para poder descer um pouquinho mais lento (ops...era um segredo, pois vai contra o pedido dos demais...rs); se bem que, na verdade, ele subiu mais rápido, mas não desceu assim tão lentamente, não!! Subida acima, éramos o Trevisan, eu e o Alex, logo depois o Baiano e o Molinos... Na descida, vocês podem imaginar o que aconteceu: Trevisan e Alex se foram, eu fui ficando... o Baiano, o Molinos (talvez outros mais) me passaram... eles sem pedalar, e eu tentando pedalar atrás! rsrs... Mas tudo bem, consegui alcançá-los antes do trevo da UNISC, e chegamos juntos, às 15h28min (eu, Alex, Trevisan, Baiano, Endres, Molinos, Rodrigo e Vitor). Os demais foram chegando na seqüência, aos poucos.
Foi um dia maravilhoso, no fim a chuva foi mais um elemento para enriquecer e tornar a prova mais prazerosa... pode parecer loucura, mas foi, mesmo, muito, muito divertido! E também muito estimulante... pude ver alguns outros ciclistas em formação, como eu, tomando gosto pelas longas distâncias. E os parabenizo, especialmente nas figuras do Jordi (meu afilhado!!) e do menino de Panambi (juro que na próxima saberei seu nome), por terem completado o desafio desejando ir adiante!!
Acho que, depois desse relato-monstro, ninguém vai me deixar relatar mais nada...
Grande abraço à minha nova família ciclística! Espero tê-los por muito tempo a meu lado... (mas, falando bem sinceramente, espero tê-los atrás de mim...rs... ciclisticamente falando, é claro! ;-))
Si